PORTARIA Nº 01/SME/2026
EMENTA: Dispõe sobre o Orientativo para a Matriz Curricular da Educação em Tempo Integral e dá outras providências.
A SECRETÁRIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO em consonância com o Conselho Municipal de Educação no uso de suas atribuições legais e considerando a necessidade de instituir a matriz curricular para a Educação Integral em Tempo Integral à todas as Unidades Escolares do Sistema Municipal de Ensino:
Resolve:
Art. 01 Criar o orientativos curricular como documento norteador essencial para que as Unidades Escolares do Sistema Municipal de Ensino possam nortear a organização de seus Projetos Políticos Pedagógicos – PPPs, reorganizando assim o processo educacional na oferta da Educação Básica em tempo Integral.
Art. 2º O orientativo da matriz curricular é um instrumento legal e orientador das diretrizes administrativas e pedagógicas, definindo a estrutura e o funcionamento das Unidades Escolares Municipais em nível de Educação Infantil, Ensino Fundamental do Programa Escola em Tempo Integral, observadas as disposições da legislação complementar pertinente.
Art. 3° Segue anexo o orientativo às Unidades Escolares do Sistema Municipal de Ensino de Carlinda, MT.
Art. 4º Os casos omissos deverão ser solucionados em primeira instância pela SME.
Art. 5º Esta portaria entra em vigor na data da publicação, revogando-se as disposições em contrário.
Carlinda, 17 de março de 2026.
_________________________________
Elaine Batista Costa de Souza
Secretária Municipal de Educação
Anexo I
ORIENTATIVO CURRICULAR
2026
REALIZAÇÃO
PREFEITURA MUNICIPAL DE CARLINDA
Fernando de Oliveira Ribeiro
Prefeito Municipal
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
Elaine Batista Costa de Souza
Secretária Municipal de Educação
SUMÁRIO
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INTRODUÇÃO .................................................................................................... |
05 |
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1.0 |
Educação básica municipal...................................................................................... |
05 |
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2.0 |
Concepção de Educação Integral em Tempo Integral ............................................. |
05 |
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3.0 |
Organização curricular ............................................................................................ |
06 |
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3.1 |
Componentes da parte diversificada da ETI ........................................................... |
06 |
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3.1.1 |
Eletivas .................................................................................................................... |
07 |
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3.1.2 |
Estudos aplicados em língua portuguesa (letramento) ............................................ |
08 |
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3.1.3 |
Estudo aplicado em Matemática (raciocínio lógico) ............................................... |
09 |
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3.1.4 |
Leitura e produção de texto ..................................................................................... |
11 |
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3.1.5 |
Práticas esportivas ................................................................................................... |
12 |
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3.1.6 |
Práticas experimentais ............................................................................................. |
13 |
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3.1.7 |
Projeto de vida ......................................................................................................... |
15 |
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3.1.8 |
Protagonismo ........................................................................................................... |
17 |
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3.1.9 |
Resolução de problemas .......................................................................................... |
19 |
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3.1.10 |
Língua Estrangeira (Inglês) ..................................................................................... |
20 |
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3.1.11 |
Arte e suas linguagens ............................................................................................. |
21 |
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3.1.12 |
Estudo da cultura Africana, Afro brasileira e regional ............................................ |
23 |
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3.1.13 |
Educação socioambiental ........................................................................................ |
25 |
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3.1.14 |
Letramentos digitais ................................................................................................ |
26 |
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3.1.15 |
Iniciação esportiva ................................................................................................... |
28 |
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4.0 |
Matriz curricular ...................................................................................................... |
29 |
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4.1 |
Educação Infantil ..................................................................................................... |
30 |
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4.1.1 |
Matriz curricular – Educação Infantil – ETI– 07 horas diárias ............................... |
32 |
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4.2 |
Matriz curricular – Ensino fundamental anos iniciais – ETI – 07 horas diárias ..... |
34 |
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4.3 |
Matriz curricular – Ensino fundamental anos iniciais – ETI – 08 horas diárias ..... |
35 |
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4.44 |
Matriz curricular – Ensino fundamental anos finais – ETI – 07 horas diárias ........ |
36 |
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REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ |
37 |
INTRODUÇÃO
No ano de 2024, o Município de Carlinda iniciou a implementação da Política de Educação Integral em Tempo Integral em cumprimento da Meta 6 do Plano Municipal de Educação (Lei nº 884/2015), estruturando-a de forma gradual e planejada, com vistas à ampliação qualificada da jornada escolar e à consolidação de um currículo voltado à formação integral dos estudantes. A execução da política teve início na Escola Municipal Manoel Bandeira, contemplando, em sua fase inaugural, as turmas de 5º ano do Ensino Fundamental. No segundo semestre de 2024, a política foi expandida para quatro unidades escolares da zona rural, atendendo estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Nesse processo de ampliação, três escolas passaram também a integrar a Educação Infantil à proposta de Tempo Integral, assegurando a articulação entre as etapas da Educação Básica. Atualmente, o município conta com 5 unidades escolares que ofertam matrículas em Educação em Tempo Integral (ETI), distribuídas entre zona urbana e zona rural. A organização do atendimento na zona urbana contempla uma escola com turmas de 5º ano em regime integral, além da disponibilização de vagas para o 4º ano, conforme planejamento de expansão progressiva da política no território municipal.
A organização curricular na ETI exige um modo de repensar e redimensionar o tempo e os espaços no sentido de estabelecer uma política educacional voltada à ampliação de oportunidades de aprendizagens para os estudantes. Deste modo a aprendizagem não se limita apenas ao ambiente escolar, sendo necessário a ampliação dos territórios educativos, agregada à presença da família e o envolvimento da comunidade.
Cabe ressaltar que em consonância com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Computação deve estar inserida no currículo como componente integrador e interdisciplinar, promovendo o pensamento computacional, a cultura digital e o uso ético e criativo da tecnologia em todas as etapas de ensino.
1.0 EDUCAÇÃO BÁSICA MUNICIPAL
A Educação Básica está organizada em ciclos/anos, com base na idade, na competência e outros critérios ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de ensino e aprendizagem assim o recomendar.
A Educação Básica, no município se dá pelo atendimento da Educação Infantil e Ensino fundamental regular e Educação em Tempo Integral.
2.0 CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO INTEGRAL EM TEMPO INTEGRAL
A Educação Integral em Tempo Integral, conforme estabelecido na Resolução CNE/CEB Nº 7, de 1º de agosto de 2025, constitui uma política educacional orientada à garantia do desenvolvimento pleno dos estudantes em suas dimensões intelectual, física, emocional, social e cultural. A referida normativa reforça que a ampliação da jornada escolar deve estar articulada a uma concepção pedagógica integrada, que promova aprendizagens significativas, equidade educacional e formação humana integral.
De acordo com a Resolução, a oferta da Educação em Tempo Integral exige reorganização curricular, integração entre a Base Nacional Comum Curricular e a parte diversificada, planejamento pedagógico articulado e gestão do tempo e dos espaços escolares de forma a potencializar experiências educativas qualificadas. A ampliação do tempo de permanência na escola deve assegurar intencionalidade pedagógica, evitando a mera extensão da carga horária dissociada de objetivos formativos.
Assim, a Educação Integral em Tempo Integral configura-se como estratégia estruturante para a efetivação do direito à aprendizagem, a redução das desigualdades educacionais e a promoção do desenvolvimento integral dos estudantes, em consonância com as diretrizes nacionais vigentes.
3.0 ORGANIZAÇÃO CURRICULAR
A organização curricular está orientada para o desenvolvimento de competências e habilidades que possibilitem ao estudante atuar na sociedade com autonomia, responsabilidade, solidariedade e domínio de conhecimentos essenciais. Nesse sentido, para além dos componentes previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Escola de Tempo Integral (ETI) estrutura sua proposta pedagógica contemplando também a Parte Diversificada do currículo, ampliando as oportunidades formativas e favorecendo a educação integral.
A Parte Diversificada articula-se à Base Comum com a finalidade de potencializar as aprendizagens, atender às especificidades e diversidades educacionais, integrar temas contemporâneos transversais e consolidar projetos pedagógicos desenvolvidos na rede municipal. Nesse contexto, a atuação docente pressupõe a organização da carga horária de forma integrada entre componentes da Base Comum e da Parte Diversificada, assegurando coerência pedagógica, interdisciplinaridade e intencionalidade formativa.
3.1 COMPONENTES DA PARTE DIVERSIFICADA DA ETI
A carga horária de cada componente da Parte Diversificada se diferencia a depender da etapa e modalidade ofertada e prevista nas matrizes curriculares. A seguir cada componente será apresentado, com conceito, organização da oferta, papel do professor, orientações e sugestões para o desenvolvimento das aulas, metodologias e avaliações recomendadas.
Quanto às metodologias e ao processo avaliativo, de modo geral, orienta-se o estímulo às Metodologias Ativas em todos os componentes e processo avaliativo formativo, processual e contínuo, que oriente as intervenções do professor, possibilitando ajustes no planejamento e garantindo que todos os estudantes avancem em suas aprendizagens, respeitando seus tempos e potencialidades.
3.1.1 Eletiva
Conceito
Disciplina Eletiva no Ensino Fundamental, são componentes temáticos, ofertados semestralmente, que pressupõe um espaço dedicado a ouvir os estudantes, proporcionar o exercício da escolha e da participação como sujeitos ativos em todo o processo.
As eletivas devem diversificar, aprofundar e enriquecer a Base Comum por meio do estudo de temas, objetos de conhecimento e áreas na consideração das características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia, e dos interesses dos estudantes.
É de suma importância compreender que as eletivas são oportunidades de desenvolver habilidades ligadas ao domínio cognitivo, intrapessoal e interpessoal e como parte do currículo servem ao Projeto de Vida dos estudantes.
Não são elementos anexos ou complementares e se organizam em torno de núcleos. No Ensino Fundamental deve ocorrer articulação da BNCC com temas transversais e a criatividade.
Organização da oferta
02 aulas por semana em escolas com matriz de 7h diárias e 03 aulas em escolas com matriz de 8h diárias. A oferta ocorre nas turmas do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
Papel do professor
Na elaboração da eletiva o professor deve levantar informações sobre as necessidades de aprendizagem e interesses da turma. Deve partir de temas necessariamente ancorados na Base Comum e considerar as características e singularidades locais.
A responsabilidade do planejamento e do desenvolvimento da eletiva é do professor atribuído, mas, orienta-se que as propostas sejam interdisciplinares e que conte com outros professores no planejamento e quando possível no desenvolvimento.
Orientação para o desenvolvimento das aulas
As aulas de eletivas devem ser planejadas considerando situações didáticas diversificadas com vistas ao desenvolvimento, integração e consolidação das áreas do conhecimento de forma contextualizada e interdisciplinar. As eletivas devem ter periodicidade semestral e conduzidas seguindo os seguintes passos:
➢ Apresentação aos Estudantes: Professores das eletivas, com apoio do Coordenador Pedagógico, explicam os objetivos, a estrutura e o processo das eletivas aos estudantes.
➢ Definição de prioridades: Equipe docente e pedagógica define quais prioridades podem ser atendidas pelas eletivas.
➢ Planejamento Interdisciplinar: O professor atribuído convida colegas para planejar juntos, promovendo a interdisciplinaridade.
➢ Cronograma: Coordenador Pedagógico e professores elaboram o cronograma das atividades das eletivas, os estudantes conhecem os temas, interagem com os docentes e escolhem as atividades que melhor se adaptam aos seus interesses (feirão) e termina com a Culminância das Eletivas.
➢ Monitoramento das Aulas: As aulas são executadas pelos professores e devem ser monitoradas pelos Coordenadores Pedagógicos que acompanham os temas trabalhados e as respectivas habilidades, metas, desvios, boas práticas e indicadores de desempenho.
➢ Análise de Resultados: Coordenadores e professores avaliam o impacto das eletivas na aprendizagem e nos projetos escolares.
➢ Avaliação pelos Estudantes: A culminância é o momento de socializar e avaliar a produção. Os estudantes avaliam a eletiva cursada para sugerir melhorias ou repetição.
➢ Avaliação Docente: Professores analisam metas e ações da eletiva, identificam causas de desvios e propõem correções.
➢ Uso dos Resultados: Coordenador Pedagógico utiliza os dados das avaliações para compor o resultado do semestre do estudante e ajustar as próximas eletivas.
➢ Planejamento Futuro: Coordenador Pedagógico alinha com a direção e professores os aprendizados do semestre para planejar o próximo.
Metodologia recomendada
As eletivas devem ser abordadas interdisciplinarmente, desse modo, sugere-se o uso de Metodologias Ativas que permitam o desenvolvimento de habilidades colaborativas e flexíveis em que muitas pessoas atuem em torno de uma única tarefa. Sugere-se a organização das aulas no mesmo horário para todas as turmas da escola, de modo a propiciar a execução das aulas alinhadas ao planejamento.
Avaliação do processo
Ao final do processo orienta-se a apresentação de um produto final no formato de culminância, um momento de expressar as aprendizagens do percurso, na exposição e socialização do trabalho.
3.1.2 Estudo Aplicado em Língua Portuguesa (Letramento)
Conceito
O Estudo Aplicado em Língua Portuguesa se constitui em um momento pedagógico destinado a retomar, consolidar e aprofundar as aprendizagens desenvolvidas nas aulas regulares de Língua Portuguesa. Na ETI, esse componente tem a função de garantir tempo qualificado de aprendizagem, respeitando os diferentes ritmos dos estudantes e promovendo a equidade no processo educativo.
Trata-se de um momento de intervenção pedagógica intencional, em que o professor trabalha dificuldades específicas, amplia habilidades já desenvolvidas e cria situações práticas de leitura, escrita e oralidade, sempre vinculadas a contextos reais de uso da língua.
Organização da oferta
02 aulas semanais nas turmas de 1º, 2°, 3°, 4º e 5° anos do Ensino Fundamental.
Papel do professor
Promover um ambiente acolhedor e estimulante, incentivando a participação e autonomia dos estudantes, considerando o ano da turma. O professor deve ainda:
● Planejar intervenções pedagógicas intencionais que atendam às necessidades dos estudantes, acompanhando o desenvolvimento individual e coletivo, identificando dificuldades e propondo estratégias interventivas.
● Analisar as avaliações e registros da sala regular para identificar habilidades não consolidadas.
● Planejar atividades diferenciadas, considerando níveis distintos de aprendizagem.
● Organizar agrupamentos flexíveis (individual, duplas ou pequenos grupos);
● Oferecer orientações claras, exemplos e devolutivas constantes.
● Estimular a participação, a autonomia e a confiança dos estudantes no uso da linguagem.
Orientação para o desenvolvimento das aulas
As aulas devem ter uma organização simples e clara, para ajudar o estudante a entender o que será aprendido. Cada aula deve começar com a identificação das necessidades dos estudantes, por meio da observação de suas escritas, leituras em voz alta e conversas individuais ou em grupo.
O professor precisa definir um objetivo claro, como melhorar a leitura, avançar na escrita, compreender um tipo de texto, ampliar o vocabulário ou organizar ideias em textos curtos. Durante a aula, o professor deve relembrar o conteúdo, propor atividades práticas, acompanhar os estudantes de perto, oferecer ajuda quando necessário e incentivar a leitura, a escrita e a fala. Ao final, é importante retomar o que foi aprendido, valorizar os avanços dos estudantes e registrar as dificuldades e progressos observados.
Metodologia recomendada
São recomendadas estratégias como leitura compartilhada, rodas de conversa, oficinas de produção textual, jogos linguísticos, sequências didáticas e projetos de leitura e escrita. O trabalho deve valorizar situações reais de comunicação, promovendo o uso funcional da língua e estimulando o desenvolvimento da autonomia leitora e escritora desde os primeiros anos escolares.
Avaliação do processo
O professor deve avaliar a participação e envolvimento dos estudantes, acompanhando o progresso na evolução da leitura (fluência e compreensão), avanços na escrita (hipóteses de escrita, organização textual), ampliação do vocabulário e da oralidade e autonomia na realização das atividades.
3.1.3 Estudo Aplicado em Matemática (Raciocínio lógico)
Conceito
O Estudo Aplicado em Matemática é voltado à consolidação, ampliação e aplicação dos conhecimentos matemáticos, articulando conceitos, procedimentos e relações por meio de situações lúdicas, desafiadoras e significativas. Esse componente busca superar a aprendizagem mecânica, favorecendo o raciocínio lógico, a resolução de problemas e a aprendizagem ativa, de modo que o estudante compreenda a Matemática como uma ciência presente no cotidiano, essencial para interpretar, compreender e intervir na realidade de forma crítica e responsável. Trata-se de um momento de aprofundamento e ressignificação da aprendizagem, no qual o erro é compreendido como parte do processo, e o estudante é incentivado a investigar, levantar hipóteses, argumentar e validar estratégias matemáticas.
Organização da oferta
02 aulas semanais nas turmas de 1°, 2°, 3°, 4º e 5º anos do Ensino Fundamental.
Papel do professor
Atuar como mediador, orientador e provocador de aprendizagens, criando situações que estimulem a curiosidade, a criatividade e a autonomia intelectual dos estudantes. O professor deve: planejar propostas desafiadoras e contextualizadas, alinhadas aos conhecimentos já trabalhados em sala, incentivar a participação ativa, o diálogo e a troca de estratégias entre os estudantes, observar, intervir e orientar individual ou coletivamente, respeitando os diferentes ritmos de aprendizagem, promover um ambiente seguro, no qual os estudantes se sintam confiantes para testar ideias, errar e aprender e relacionar os conteúdos matemáticos a situações do cotidiano, evidenciando sua aplicabilidade social e prática.
Orientação para o desenvolvimento das aulas
Organizadas de forma dinâmica e intencional as aulas devem contemplar situações-problema contextualizadas e próximas da realidade dos estudantes; atividades que envolvam jogos matemáticos, desafios lógicos, investigações, experimentações e simulações; momentos de trabalho individual, em duplas e em grupos, favorecendo a cooperação e o protagonismo; espaços para socialização das estratégias utilizadas, comparação de soluções e argumentação matemática; retomadas conceituais sempre que necessário, garantindo a compreensão dos procedimentos e das relações matemáticas envolvidas.
Metodologia recomendada
É importante valorizar diferentes formas de pensar e relacionar as atividades ao uso da matemática no dia a dia, priorizar o raciocínio, não apenas a resposta correta, incentivar a fala e a argumentação matemática, usar o erro como oportunidade de aprendizagem e adaptar as atividades conforme a turma.
Avaliação do processo
O foco da avaliação no Estudo Aplicado em Matemática está no processo de aprendizagem, considerando as estratégias utilizadas na resolução de problemas, a participação, o raciocínio lógico, a capacidade de argumentação e a autonomia do estudante. O professor deve valorizar o erro como parte do percurso formativo, utilizando-o como indicador para intervenções pedagógicas e retomadas conceituais. Devem ser utilizados instrumentos diversificados, como observação sistemática, registros das produções dos estudantes, portfólios, autoavaliações e momentos de socialização das estratégias.
Assim, a avaliação deve gerar devolutivas qualitativas, orientando o estudante sobre seus avanços e aspectos a melhorar, e subsidiar o replanejamento das aulas, garantindo que o Estudo Aplicado em Matemática contribua efetivamente para a consolidação das aprendizagens e para o desenvolvimento do raciocínio lógico e da aprendizagem ativa.
3.1.4 Literatura e Produção de texto
Conceito
Constituem um espaço formativo essencial para o desenvolvimento das competências de leitura, escrita e interpretação dos estudantes, ampliando sua compreensão sobre o texto como prática social, cultural e comunicativa. Essas aulas têm como objetivo favorecer o contato sistemático com diferentes gêneros textuais e literários, possibilitando que o estudante compreenda os fatores que influenciam a produção e a recepção dos textos, tais como o contexto, a intencionalidade, o interlocutor e o suporte de circulação. No contexto da Educação Integral, a literatura e a produção textual contribuem para a formação crítica, sensível e criativa do estudante, promovendo o desenvolvimento da linguagem como instrumento de expressão, reflexão, identidade e participação social.
Organização da oferta
02 aulas semanais nas turmas de 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental.
Papel do professor
Atua como mediador do processo de leitura e escrita, orientando os estudantes na construção de sentidos, no desenvolvimento da autoria e no aprimoramento da comunicação oral e escrita. Cabe ao docente criar situações de aprendizagem significativas, selecionar textos diversificados e adequados à faixa etária, estimular o gosto pela leitura e promover práticas de escrita que respeitem os diferentes níveis de aprendizagem. O professor deve incentivar a escuta, o diálogo, a argumentação e a reflexão sobre a linguagem, oferecendo feedback contínuo e orientador, além de valorizar as produções dos estudantes como parte do processo formativo. A Pedagogia da Presença se manifesta ao acompanhar de forma próxima o percurso de cada estudante, fortalecendo a autonomia, a autoestima e o protagonismo juvenil.
Orientação para o desenvolvimento das aulas
Recomenda-se partir de situações comunicativas reais e significativas, considerando o repertório cultural, as experiências e os interesses dos estudantes. É fundamental que as aulas promovam o contato com diferentes gêneros literários e não literários, ampliando progressivamente a complexidade dos textos e das produções. O planejamento deve prever momentos de leitura compartilhada, discussão coletiva, análise de textos-modelo, produção individual e coletiva, revisão e reescrita, garantindo que o estudante compreenda o processo de produção textual como um percurso que envolve planejamento, escrita, revisão e aprimoramento.
Metodologia recomendada
Recomenda-se o uso de estratégias como rodas de leitura, Clubes do livro, oficinas de escrita, produção de textos em diferentes suportes, reescritas orientadas, leitura crítica e intertextualidade. A literatura deve ser trabalhada como experiência estética e cultural, estimulando a sensibilidade, a imaginação e o pensamento crítico.
Avaliação do processo
Necessita avaliar o desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita, interpretação e expressão ao longo do tempo. O foco da avaliação deve estar no percurso do estudante, valorizando avanços, estratégias utilizadas, capacidade de revisão e adequação textual às diferentes situações comunicativas.
Devem ser utilizados instrumentos diversificados, como portfólios, produções textuais, registros de leitura, auto avaliação, apresentações orais e observações sistemáticas. A avaliação deve orientar o trabalho pedagógico, fornecer devolutivas qualificadas aos estudantes e contribuir para o aprimoramento da comunicação em contextos pessoais, escolares e sociais, fortalecendo sua formação integral.
3.1.5 Práticas Esportivas
Conceito
As aulas de práticas esportivas nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nas Escolas de Tempo Integral, configuram-se como espaços pedagógicos essenciais para a promoção do desenvolvimento integral dos estudantes, nos quais o movimento corporal é valorizado como linguagem, expressão e meio de convivência. Por meio de jogos, brincadeiras, atividades corporais e práticas esportivas criativas, essas aulas favorecem a socialização, o respeito mútuo, a cooperação e a construção de valores morais e éticos, indispensáveis à formação cidadã das crianças.
Organização da oferta
2 aulas semanais nas turmas de 1°, 2°, 3°, 4° e 5º anos do Ensino Fundamental.
Papel do professor
O professor assume o papel de mediador do processo educativo, responsável por criar ambientes acolhedores, seguros e estimulantes, nos quais os estudantes se sintam motivados a participar e a interagir. Cabe ao docente orientar as práticas de forma ética e inclusiva, incentivando atitudes de respeito, responsabilidade, solidariedade e trabalho em equipe. Além disso, o professor deve observar atentamente as relações estabelecidas durante as atividades, intervindo sempre que necessário para promover o diálogo, a cooperação e a resolução pacífica de conflitos, contribuindo para a formação de valores e para o fortalecimento das relações interpessoais.
Orientação para o desenvolvimento das aulas
As aulas devem ser conduzidas de forma lúdica e participativa, com início acolhedor, desenvolvimento dinâmico e fechamento reflexivo. As atividades devem ser apresentadas de maneira clara e progressiva, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada criança. É fundamental valorizar as experiências prévias dos estudantes, incentivando a experimentação, a criatividade e a expressão corporal. Porém as atividades devem evitar a ênfase na competição excessiva e priorizar a vivência coletiva, o espírito de equipe e o prazer em se movimentar, fortalecendo o senso de pertencimento e convivência solidária.
Ao final, o professor pode promover uma roda de conversa para que as crianças expressem como se sentiram, o que aprenderam e como colaboraram com os colegas, fortalecendo a dimensão formativa das práticas esportivas.
Metodologia recomendada
Baseia-se em abordagens ativas, participativas e inclusivas, com destaque para jogos e brincadeiras cooperativas, circuitos motores, atividades rítmicas e esportes adaptados. Essas estratégias favorecem a aprendizagem por meio da vivência, da interação e da cooperação, permitindo que os estudantes desenvolvam habilidades motoras, sociais e emocionais de forma integrada. A valorização do lúdico e da experimentação contribui para que o movimento corporal seja percebido como uma prática prazerosa e significativa, associada ao bem-estar, à saúde e à qualidade de vida.
Avaliação do processo
Recomenda-se considerar o desenvolvimento dos estudantes ao longo do tempo. Mais do que mensurar desempenho técnico, o professor pode utilizar registros observacionais para acompanhar aspectos como participação, cooperação, respeito às regras, iniciativa, valores trabalhados e superação de desafios. Os registros pedagógicos e momentos de reflexão coletiva podem subsidiar o acompanhamento do percurso formativo, assegurando que as práticas esportivas contribuam efetivamente para o desenvolvimento integral dos estudantes na Escola de Tempo Integral.
3.1.6 Práticas Experimentais
Conceito
Concebida para promover a articulação entre teoria e prática, o componente Práticas Experimentais articula conhecimento científico e realidade cotidiana. Seu foco está na aprendizagem significativa, por meio da vivência concreta de experimentos, investigações, simulações e práticas que possibilitam ao estudante compreender fenômenos, testar hipóteses, analisar resultados e construir explicações fundamentadas.
Na ETI as Práticas Experimentais assumem papel formativo essencial ao estimular o pensamento científico, a curiosidade, a autonomia intelectual e o protagonismo juvenil. Elas contribuem para a formação integral do estudante ao desenvolver competências cognitivas, socioemocionais e práticas, reforçando a compreensão de que o conhecimento é construído a partir da observação, da experimentação, do erro, da reflexão e da ressignificação.
Organização da oferta
02 aulas semanais nas turmas de 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental.
Papel do professor
Provocador do conhecimento, abandonando a lógica exclusivamente transmissiva para assumir uma postura investigativa e formativa. Cabe a ele criar situações desafiadoras, propor experimentos práticos, estimular questionamentos e orientar os estudantes na formulação de hipóteses e na análise dos resultados obtidos.
O professor deve garantir a realização de práticas para todas as turmas, em ambiente seguro, acolhedor e colaborativo, respeitando os diferentes ritmos, estilos de aprendizagem e conhecimentos prévios dos estudantes. Nas escolas com Laboratórios de Ciências e Matemática, orienta-se a utilização do mesmo, a partir de planejamento, cronograma e registros da utilização, com apoio da Coordenação Pedagógica e do Técnico Administrativo Educacional.
O componente Práticas Experimentais se destaca como metodologia de êxito importante no desenvolvimento da Pedagogia da Presença, pois o professor acompanha de perto os processos, intervém de forma intencional e oferece feedback constante, favorecendo o desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade dos estudantes ao longo do processo experimental.
Orientação para o desenvolvimento das aulas
As aulas de Práticas Experimentais devem partir de situações-problema reais e significativas aos estudantes, abordando fenômenos naturais, sociais ou tecnológicos relacionados às Ciências da Natureza e Matemática. As aulas devem ser organizadas de modo sequenciado, garantindo a progressão das aprendizagens. É fundamental que as atividades contemplem momentos de:
➢ problematização e contextualização do tema;
➢ levantamento de hipóteses e previsões;
➢ realização de experimentos, investigações ou práticas;
➢ observação, registro e análise dos dados;
➢ socialização dos resultados e reflexão coletiva.
Os registros das experiências por meio de relatórios, diários de práticas, esquemas, gráficos, imagens ou produções diversas são elementos essenciais para a consolidação das aprendizagens e para o desenvolvimento da linguagem científica.
Metodologia recomendada
Podem ser desenvolvidas em diferentes espaços educativos, como laboratórios, salas temáticas, cozinhas experimentais, pátios, hortas, ambientes externos ou outros espaços adaptados, desde que estes sejam organizados com finalidade pedagógica clara (Espaços educativos). A metodologia deve priorizar abordagens investigativas, nas quais o estudante seja protagonista do processo de aprendizagem, utilizando estratégias como projetos, oficinas práticas, experimentação orientada e resolução de problemas. A interdisciplinaridade orienta essas práticas, integrando diferentes áreas do conhecimento e articulando os componentes da Base Comum à Parte Diversificada do currículo. As atividades devem favorecer a experimentação, a criatividade, o pensamento crítico e a capacidade de tomar decisões, estimular a curiosidade e o desenvolvimento de competências essenciais para o século XXI.
Avaliação do processo
Considerar aspectos como a participação e envolvimento nas atividades, a capacidade de formular hipóteses e resolver problemas, a qualidade dos registros e das análises realizadas, o trabalho colaborativo e responsabilidade individual e a aplicação prática dos conhecimentos construídos.
Podem ser utilizados instrumentos diversificados, como observações sistemáticas, registros em diários ou portfólios, produções individuais e coletivas, apresentações orais, autoavaliações e avaliações por pares. A avaliação deve orientar o processo pedagógico, subsidiar intervenções do professor e contribuir para que o estudante reconheça seus avanços, desafios e potencialidades.
3.1.7 Projeto de Vida
Conceito
É o eixo central do Modelo da Escola de Tempo Integral e orienta todas as ações pedagógicas e de gestão da escola. Ele não se limita a uma escolha profissional ou a um planejamento de carreira, mas constitui um processo contínuo de reflexão, construção de identidade e tomada de decisões, que considera o estudante como sujeito histórico, social e protagonista de sua própria trajetória.
Parte-se do princípio de que o estudante já é alguém, com história, valores, desejos, limites e potencialidades. Assim, o Projeto de Vida é compreendido como o percurso entre o “quem sou” e o “quem quero ser”, valorizando o presente como ponto de partida para a projeção do futuro. O desejo, nesse contexto, não representa falta, mas potência criativa e possibilidade de desenvolvimento.
O desenvolvimento do Projeto de Vida deverá pautar-se nos seguintes princípios: centralidade do estudante no processo educativo; valorização do presente como ponto de partida para a projeção do futuro; formação integral, contemplando aspectos cognitivos, socioemocionais e éticos; respeito à diversidade, às trajetórias individuais e aos tempos de aprendizagem; articulação entre o Projeto Escolar e o Projeto de Vida dos estudantes.
Nas aulas, o Projeto de Vida deve ser trabalhado nas dimensões pessoais, sociais e produtivas da vida. Seu desenvolvimento exige a integração entre aspectos cognitivos, socioemocionais e vivenciais, favorecendo a construção de valores, o fortalecimento da autonomia e o desenvolvimento de competências necessárias para o século XXI.
Organização do trabalho pedagógico
01 aula semanal nas turmas de 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental.
Papel do professor
Atuar como inspirador exercendo a Pedagogia da Presença. Não existe um perfil único para esse docente, mas é fundamental que ele seja capaz de escutar, acolher, provocar reflexões e apoiar o estudante na transformação de sonhos em ações concretas, sem impor expectativas ou julgamentos. Embora exista um componente curricular específico, o Projeto de Vida não é responsabilidade exclusiva desse professor. Toda a equipe escolar deve atuar de forma integrada, pois o Projeto de Vida do estudante é o foco do Projeto Escolar. As práticas pedagógicas das diferentes áreas devem dialogar com esse eixo, reforçando o sentido da aprendizagem e sua aplicação na vida. Cabe ao docente:
➢ estimular reflexões sobre identidade, valores e escolhas;
➢ apoiar o estudante na transformação de sonhos em ações;
➢ evitar julgamentos, imposições ou direcionamentos pessoais;
➢ respeitar a privacidade e a singularidade de cada trajetória.
Orientação para o desenvolvimento das aulas
As aulas de Projeto de Vida devem se pautar em um processo contínuo de construção e não um produto final a ser alcançado. Nesse sentido, é fundamental reconhecer o estudante como sujeito com história, identidade, sonhos e potencialidades, valorizando suas experiências e trajetórias. O Projeto de Vida não deve ser reduzido a uma escolha profissional precoce ou a um teste vocacional, mas entendido como um espaço de reflexão sobre quem o estudante é, quem deseja se tornar e como se relaciona com o mundo.
Para que essa abordagem se concretize, o planejamento das aulas precisa ser orientado por uma intencionalidade formativa clara, integrando momentos de reflexão, diálogo e ação. É importante considerar, de forma articulada, as dimensões pessoal, social e produtiva da vida, promovendo uma visão ampla e integrada do desenvolvimento humano. As discussões devem partir de situações do cotidiano, dilemas reais, experiências pessoais e contextos sociais, de modo a tornar o Projeto de Vida significativo, contextualizado e conectado à realidade dos estudantes.
Para o planejamento das aulas, sugere-se:
➢ Priorizar atividades de autoconhecimento, identidade e valores;
➢ Incentivar registros em diários, portfólios ou guias pessoais, respeitando a privacidade do estudante;
➢ Trabalhar o conceito de projeto, sonho e planejamento;
➢ Estimular reflexões sobre escolhas, consequências e responsabilidade;
➢ Orientar os estudantes a projetarem o futuro considerando a continuidade dos estudos no Ensino Médio.
➢ Desenvolver atividades que envolvam metas, planos de ação, tomada de decisão consciente e reflexões sobre: quem sou eu, como me relaciono com o outro, quais valores orientam minhas atitudes, a importância do conhecimento na minha vida.
Metodologia recomendada
Valorizar os processos de aprendizagem, e não apenas os resultados finais, favorecendo o protagonismo estudantil e a construção de aprendizagens significativas. Nesse sentido, práticas como rodas de conversa com escuta qualificada, estudos de caso, situações-problema, atividades reflexivas individuais e coletivas, bem como registros escritos, portfólios e autoavaliações, mostram-se fundamentais para estimular a participação ativa dos estudantes. Tais metodologias devem priorizar os processos formativos e respeitar o contexto sociocultural dos estudantes, garantindo uma abordagem educativa mais humana, contextualizada e coerente com suas realidades. Utilizar metodologias ativas que favoreçam: escuta, protagonismo, cooperação, expressão oral e escrita.
Avaliação do processo
Deve observar o percurso do estudante ao longo das atividades desenvolvidas. Nesse processo, é fundamental considerar a participação e o envolvimento nas propostas, o desenvolvimento da capacidade reflexiva e a evolução na construção da autonomia e da responsabilidade. Não se recomenda a utilização de instrumentos classificatórios, comparativos ou de caráter seletivo, pois o foco da avaliação deve estar no acompanhamento do engajamento e da progressiva maturação do estudante. Para isso, devem ser priorizados instrumentos qualitativos, como observações, registros reflexivos e auto avaliação, que possibilitem uma compreensão mais ampla e significativa do processo formativo.
3.1.8 Protagonismo
Conceito
O protagonismo é compreendido como princípio educativo, prática pedagógica e premissa de gestão, voltado à formação de estudantes autônomos, solidários e competentes, capazes de atuar com iniciativa, liberdade e compromisso sobre suas próprias decisões e aprendizagens. O trabalho pedagógico com o protagonismo organiza-se por meio de aulas estruturadas, distribuídas em temáticas progressivas ao longo dos anos finais do Ensino Fundamental. Essas aulas devem respeitar o ritmo das turmas, possibilitar ajustes no tempo e na sequência das atividades e assegurar que todo o currículo do componente seja contemplado. A organização deve garantir espaços, condições e oportunidades para a participação efetiva dos estudantes, considerando a diversidade e promovendo a inclusão de todos.
Organização da oferta
2 aulas semanais nas turmas de 1º, 2º, 3º, 4º e 5º do Ensino Fundamental; e 01 aula semanal nas turmas de 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
Papel do professor:
Atuar como incentivador da ação estudantil não havendo um perfil único ou área específica de formação para exercer essa função. Cabe a ele estimular a participação dos adolescentes, fortalecer vínculos, promover o trabalho coletivo e zelar para que as iniciativas dos estudantes sejam compreendidas e valorizadas pela comunidade escolar. Sua atuação deve ser pautada na escuta, no acolhimento e na crença no potencial transformador da participação juvenil.
Orientação para o desenvolvimento das aulas
Recomenda-se partir das vivências dos estudantes e de situações reais da escola e da comunidade, promovendo a reflexão sobre o “estar no mundo” articulada à ação transformadora. É fundamental assegurar a participação autêntica dos estudantes desde o planejamento até a avaliação das atividades, estimulando o diálogo, a corresponsabilidade e o compromisso social, de modo a ampliar a consciência crítica e as perspectivas de futuro. O objetivo das aulas é a Formação do Ser Autônomo, Solidário e Competente. A formação do Ser Protagonista se dá pelo desenvolvimento de um currículo que pode ser usufruído pelos estudantes de maneira significativa. As aulas devem explorar: trabalho em grupo, participação ativa, vivências e conhecimento cotidiano, solução de problemas e oportunidades para a construção do conhecimento.
Sugestões de temas para os 6º e 7º anos:
➢ Temática 1 – O Universo do Protagonismo: São discutidas as bases da participação protagonista na sociedade e ao longo da história;
➢ Temática 2 – Eu protagonista: É discutido o perfil protagonista, os valores e formas de participação social;
➢ Temática 3 – Clubes de Protagonismo: Espaço destinado ao exercício da autonomia, capacidade de trabalhar em equipe e tomar decisões.
Sugestões de temas para os 8º e 9º anos:
➢ Temática 1 – Protagonismo em Ação/Sociedade: Estudo da realidade social no contexto da própria atuação protagonista;
➢ Temática 2 – Protagonista em Ação/Organizações: Estudo sobre a atuação, funcionamento e estrutura de algumas organizações sociais;
➢ Temática 3 – Protagonista em Ação/Comunidade: Estudo de problemáticas sociais para estimular propostas de intervenção social.
Metodologia recomendada
Prioriza o trabalho em grupo, a construção do conhecimento a partir do cotidiano e o desenvolvimento de competências como análise, síntese, tomada de decisão e gestão de riscos. As práticas devem favorecer experiências significativas, inclusivas e contextualizadas, nas quais o estudante atue como sujeito do processo educativo e não como mero espectador da aprendizagem. As aulas, como experiências únicas e autênticas devem transformar a vida do estudante. Para transformar as aulas em experiências é preciso considerar três pontos importantes a respeito dos estudantes:
➢ Singularidade: Tem a sua própria história de vida; Expectativas e experiências;
➢ Sentidos e significados: Tem uma maneira de enxergar a si próprio e o outro, bem como as coisas à sua volta;
➢ Visão de mundo: Cada um tem uma visão de mundo como sendo fruto das suas experiências, escolhas e perspectivas.
Avaliação do processo
Deve acompanhar o desenvolvimento das atividades e a evolução dos estudantes ao longo do processo. O professor deve realizar observações frequentes e registrar suas análises ao final de cada encontro, utilizando a avaliação como instrumento de aperfeiçoamento das práticas pedagógicas e de fortalecimento da aprendizagem e da participação estudantil.
3.1.9 Resolução de problemas
Conceito
O componente Resolução de problemas tem o objetivo de ampliar o raciocínio lógico, a criatividade, a análise crítica e a capacidade de tomar decisões diante de situações complexas. As aulas devem contribuir para o desenvolvimento da capacidade dos estudantes de elaborar perguntas e formular conjecturas de modo a contribuir para seu crescimento pessoal, social e futuro profissional.
Este componente curricular pode contribuir para a inclusão da Computação no currículo escolar, fortalecendo a base comum e ampliando a compreensão dos estudantes sobre o funcionamento das tecnologias, dos processos de tratamento, armazenamento e compartilhamento da informação, proporcionando uma visão mais aprofundada do universo digital.
Organização da oferta
02 aulas semanais nas turmas de 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental.
Papel do professor
O professor deve criar situações desafiadoras que estimulem o pensamento crítico, o raciocínio lógico e a criatividade dos estudantes. Cabe a ele incentivar a investigação, a formulação de perguntas e a elaboração de conjecturas, promovendo um ambiente em que o erro seja compreendido como parte do aprendizado. O professor deve favorecer o diálogo, a colaboração e a reflexão, auxiliando os estudantes na análise de diferentes estratégias e na tomada de decisões diante de situações complexas, contribuindo para o desenvolvimento de competências essenciais para a vida pessoal, social e para o futuro profissional.
Orientação para o desenvolvimento das aulas
As aulas devem atuar no desenvolvimento das competências e habilidades associadas à BNCC Computação. Orienta-se explorar os conhecimentos da área de Computação que foram organizados nos eixos: Pensamento Computacional, Cultura Digital e Mundo Digital. Em cada eixo é possível encontrar objetivos de aprendizagem e exemplos de atividades e ferramentas. Sugere-se ainda, os materiais com atividades desenvolvidas por ETI em anos anteriores e documentos que orientaram o “Movimenta SAEB” no ano de 2025 que podem ser utilizados como material auxiliar durante as aulas.
Metodologia recomendada
O trabalho na Resolução de Problemas deve ser contextualizado e interdisciplinar com atividades práticas e colaborativas, como projetos em grupos, desafios e onde os estudantes são incentivados a resolver problemas de maneira inovadora e reflexiva.
Avaliação do processo
A avaliação deve observar a habilidade do estudante em identificar problemas, formular perguntas, elaborar hipóteses, analisar informações e propor soluções criativas e fundamentadas. Além disso, é importante valorizar a colaboração e a reflexão crítica.
3.1.10 Língua Estrangeira (Inglês)
Conceito
A Língua Estrangeira (inglês), na perspectiva da Educação Integral em Tempo Integral, constitui-se como componente formativo voltado ao desenvolvimento da competência comunicativa, da ampliação do repertório linguístico-cultural e da inserção do estudante em contextos globais de interação. O ensino da língua deve favorecer a construção de conhecimentos linguísticos de forma contextualizada, promovendo habilidades de compreensão e produção oral e escrita, além de estimular a interculturalidade, o pensamento crítico e a autonomia.
Organização da oferta
A disciplina será ofertada com 1 (uma) aula semanal para as turmas da Educação Infantil e do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, garantindo progressão das aprendizagens conforme a etapa de ensino e respeitando as especificidades do desenvolvimento cognitivo e linguístico dos estudantes.
Papel do professor
Cabe ao professor planejar e conduzir práticas pedagógicas que promovam situações reais de comunicação, assegurando a participação ativa dos estudantes. O docente deve atuar como mediador do processo de aprendizagem, estimulando a oralidade, a escuta, a leitura e a escrita em língua inglesa, articulando o conteúdo às vivências dos alunos e aos projetos interdisciplinares da escola em tempo integral.
Orientação para desenvolvimento das aulas
As aulas devem priorizar atividades dinâmicas e interativas, com uso de músicas, jogos, recursos tecnológicos, dramatizações, leitura de textos multimodais e práticas comunicativas contextualizadas. Recomenda-se a organização de sequências didáticas que contemplem objetivos claros, progressão de conteúdos e integração com temas contemporâneos e projetos da Parte Diversificada. Algumas sugestões são:
• Introdução de estruturas básicas em língua inglesa para a leitura, escrita e oralidade, necessárias à comunicação e ao aprendizado pelo reconhecimento da diversidade sociocultural.
• Realização de brincadeiras por meio de jogos cooperativos e competitivos, músicas, contação e dramatização de histórias, canções infantis, rimas e trabalhos manuais a serem desenvolvidos com todos os temas;
• Utilização de flash cards, ou brinquedos de verdade para aprender o vocabulário, as cores e as formas.
• Realização de situações reais de conversação e interação em Inglês;
• Realização de aulas de culinária abordando vocabulário em perspectiva interdisciplinar.
Metodologia recomendada
Sugere-se abordagem comunicativa e sociointeracionista, centrada no estudante, valorizando o uso significativo da língua em contextos reais ou simulados. Estratégias como aprendizagem baseada em projetos, gamificação, uso de tecnologias educacionais e atividades colaborativas são indicadas para potencializar o engajamento e a aprendizagem.
Avaliação do processo
A avaliação deve ser contínua, formativa e processual, considerando a participação, o desenvolvimento das habilidades comunicativas, o progresso individual e o envolvimento nas atividades propostas. Devem ser utilizados instrumentos diversificados, como registros de observação, produções orais e escritas, portfólios, autoavaliação e atividades práticas, assegurando acompanhamento sistemático da aprendizagem.
3.1.11 Arte e suas Linguagens
Conceito
Arte e suas linguagens na Educação Infantil é o conjunto de práticas pedagógicas que possibilitam às crianças experimentar, expressar e comunicar suas experiências, sentimentos e ideias por meio de diversas linguagens: visual, sonora, corporal, dramática, escrita e digital. Na modalidade em tempo integral, a Arte aparece como linguagem transversal, integrada ao cotidiano escolar, fortalecendo autonomia, curiosidade, imaginação e sensibilidade. A prática artística é entendida como processo, não produto final, valorizando experimentação, repetição, reflexão e compartilhamento, promovendo a identidade cultural da criança e o respeito às diferentes formas de expressão.
Organização da oferta
3 aulas semanais na Educação Infantil.
Papel do professor
O professor de Arte na Educação Infantil em tempo integral atua como mediador e facilitador do aprendizado, criando ambientes afetivos que promovam a autonomia criativa das crianças. Suas funções incluem:
- Planejar ações articuladas com as demais áreas, respeitando o ritmo individual de cada criança.
- Estimular a curiosidade, a experimentação e a reflexão sobre o processo artístico, não apenas o produto final.
- Oferecer escolhas, apoiar a linguagem criativa e incentivar a expressão verbal e não verbal.
- Observar, documentar e comunicar o desenvolvimento das crianças, usando registros para planejar novas atividades.
- Valorizar a diversidade cultural, étnico-racial e de gênero, promovendo repertórios variados e respeitosos.
- Trabalhar colaborativamente com a equipe pedagógica, familiares e comunidade para fortalecer a aprendizagem integrada.
Orientação para desenvolvimento das aulas
Para o planejamento e desenvolvimento das aulas, considere:
- Objetivos condizentes com o estágio de desenvolvimento, priorizando competência artística, expressão, coordenação motora, percepção estética, linguagem oral e escrita emergente.
- Sequência pedagógica cíclica: aquecimento expressivo, exploração de materiais, criação guiada, produção autoral, avaliação formativa e socialização das práticas.
- Projetos transversais: temas que dialogam com a vida das crianças (natureza, cultura, brincadeiras, festas, identidade) e possibilitam múltiplas linguagens.
- Inclusão e acessibilidade: adaptar atividades para crianças com necessidades especiais, oferecendo diferentes suportes, ritmos e opções de expressão.
- Registro e reflexão: documentar processos por meio de fotos, vídeos, portfólios, relatos e produções-celebradas.
- Parcerias gratuitas e de comunidade: visitas, apresentações e trocas de saberes com familiares e moradores da região.
Metodologia recomendada
As metodologias devem favorecer participação, autonomia e construção de sentido:
- Metodologia de produção artística integrada: a criança produz, observa, reusa, transforma e compartilha suas criações.
- Abordagem lúdico-criativa: atividades que envolvam jogo, improvisação, dramatização, ritmo e movimento para desenvolver memória, ritmo, expressão corporal e imaginação.
- Aprendizagem baseada em projetos: investigação de temas relevantes para a infância, com etapas claras: problematização, experimentação, registro, apresentação.
- Pedagogia de projetos colaborativos: trabalhos em grupo, valorizando cooperação, escuta ativa e divisão de tarefas.
- Utilização de diferentes linguagens: arte visual, música, dança, teatro, escrita emergente, tecnologia educativa, artes digitais.
- Avaliação formativa contínua: observação, portfólios, registros audiovisuais, autoavaliação guiada e feedback construtivo.
Avaliação do processo
A avaliação deve acompanhar o desenvolvimento ao longo do tempo, considerando aspectos qualitativos e processuais:
- Propósito: compreender trajetórias, continuidades e avanços, não apenas o produto final.
Instrumentos: rubricas simples de competências (participação, criatividade, uso de materiais, cooperação, linguagem emergente), portfólios de trabalhos, registros fotográficos/vídeos, relatos das crianças.
- Observação sistemática: notas sobre iniciativa, persistência, risco criativo, tomada de decisões, capacidade de explicar suas escolhas.
- Autoavaliação: oportunidades para as crianças descreverem o que aprenderam, gostam e o que desejam explorar.
- Feedback de comunidade: parcerias com família e outros profissionais para enriquecer a percepção sobre o processo artístico.
- Portfólio e apresentação: organização de uma memória do aprendizado, com exposições, apresentações ou mostra de trabalhos que demonstrem trajetórias.
3.1.12 Estudos da Cultura Africana, Afro-brasileira e Regional
Conceito
A disciplina de Estudos da Cultura Africana, Afro-Brasileira e Regional na Educação Infantil tem como finalidade promover o reconhecimento, a valorização e o respeito à diversidade étnico-racial e cultural desde os primeiros anos de vida. Fundamenta-se nos princípios da educação para as relações étnico-raciais, contribuindo para a construção de identidades positivas, para o fortalecimento da autoestima das crianças e para o desenvolvimento de atitudes de respeito às diferenças. No contexto da escola em tempo integral, a proposta amplia as vivências culturais, possibilitando experiências significativas por meio da oralidade, da musicalidade, das brincadeiras, das narrativas, da culinária, das manifestações artísticas e das tradições regionais, articulando-se aos campos de experiências previstos na BNCC.
Organização da Oferta
Será ofertada 1 (uma) aula semanal na Educação Infantil de forma integrada à rotina pedagógica da escola em tempo integral, contemplando momentos semanais específicos e também práticas interdisciplinares articuladas aos demais campos de experiências. A organização do tempo ampliado permite aprofundar experiências, desenvolver projetos temáticos e realizar culminâncias culturais ao longo do ano letivo.
Papel do Professor
O professor atua como mediador das experiências culturais, promovendo práticas pedagógicas que valorizem a diversidade, combatam preconceitos e fortaleçam o respeito mútuo. Cabe ao docente:
- Selecionar materiais didáticos adequados e representativos;
- Garantir a presença de referências positivas da cultura africana e afro-brasileira;
- Promover diálogos sensíveis e respeitosos sobre identidade e diversidade;
- Observar e intervir pedagogicamente diante de situações de discriminação.
O educador também deve planejar intencionalmente as experiências, assegurando que o trabalho não se restrinja a datas comemorativas, mas esteja presente de forma contínua no cotidiano escolar.
Orientação para o Desenvolvimento das Aulas
As aulas devem ser desenvolvidas por meio de experiências significativas, considerando o brincar como eixo estruturante da Educação Infantil. Recomenda-se:
- Rodas de conversa sobre identidade, família e pertencimento;
- Exploração de livros de literatura infantil com protagonistas negros;
- Vivências musicais com instrumentos e ritmos africanos;
- Atividades corporais com danças e brincadeiras tradicionais;
- Exploração de elementos da cultura regional, promovendo o reconhecimento do território onde a criança vive.
O planejamento deve contemplar a escuta das crianças, valorizando suas falas, curiosidades e experiências familiares.
Metodologia Recomendada
A metodologia deve ser ativa, participativa e centrada na criança, utilizando:
- Projetos pedagógicos temáticos;
- Sequências didáticas com base em histórias e elementos culturais;
- Atividades sensoriais e artísticas;
- Brincadeiras dirigidas e livres;
- Recursos visuais, musicais e corporais.
É essencial garantir representatividade nos materiais pedagógicos (livros, imagens, bonecas e personagens diversos), promovendo experiências que fortaleçam a identidade e o respeito às diferenças.
Avaliação do Processo
A avaliação será processual, contínua e qualitativa, baseada na observação e no registro do desenvolvimento das crianças. Serão considerados:
- Participação nas atividades;
- Interação com os colegas;
- Demonstrações de respeito e valorização das diferenças;
- Ampliação do repertório cultural;
- Expressões orais, corporais e artísticas.
Os registros poderão ser realizados por meio de portfólios, relatórios descritivos, fotografias e produções das crianças, assegurando que a avaliação esteja alinhada aos direitos de aprendizagem e desenvolvimento previstos na BNCC.
3.1.13 Educação Socioambiental
Conceito
A Educação Socioambiental na Educação Infantil fundamenta-se na formação integral da criança, promovendo a construção de valores, atitudes e práticas voltadas ao cuidado consigo, com o outro e com o meio ambiente. Compreende a criança como sujeito de direitos, ativa, curiosa e participante, que aprende por meio das interações e das brincadeiras. Essa disciplina articula-se aos campos de experiências propostos pela BNCC, favorecendo o desenvolvimento da consciência ambiental, do respeito à diversidade, da responsabilidade coletiva e da sustentabilidade, desde a primeira infância. Na escola em tempo integral, amplia-se a oportunidade de vivências práticas e significativas relacionadas ao cotidiano e ao território.
Organização da Oferta
Será ofertada 1 (uma) aula por semana na Educação Infantil.
Papel do Professor
O professor atua como mediador das descobertas e incentivador da curiosidade infantil. Seu papel é:
- Propor experiências investigativas e sensoriais;
- Estimular o diálogo e a reflexão sobre atitudes de cuidado;
- Organizar ambientes ricos em possibilidades de exploração;
- Valorizar as hipóteses e falas das crianças;
- Integrar família e comunidade nas ações socioambientais.
Cabe ao docente promover práticas que fortaleçam vínculos afetivos e desenvolvam atitudes de cooperação, empatia e responsabilidade.
Orientação para o Desenvolvimento das Aulas
As aulas devem partir das experiências concretas das crianças e de situações do cotidiano, como o uso da água, o cuidado com os animais, a alimentação saudável e a organização dos espaços coletivos. É fundamental:
- Garantir intencionalidade pedagógica nas propostas;
- Utilizar diferentes linguagens (oral, corporal, musical, artística);
- Priorizar atividades práticas e lúdicas;
- Explorar ambientes externos como espaços de aprendizagem;
- Incentivar a participação ativa das crianças nas decisões simples do dia a dia.
As experiências devem ser planejadas considerando os direitos de aprendizagem: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se.
Metodologia Recomendada
A metodologia deve ser ativa, participativa e baseada em projetos investigativos. Recomenda-se:
- Aprendizagem baseada em projetos;
- Rodas de conversa e escuta sensível;
- Observação e exploração da natureza;
- Experimentos simples;
- Contação de histórias com temática ambiental;
- Jogos cooperativos.
A prática pedagógica deve valorizar a experimentação, a resolução de problemas e a construção coletiva do conhecimento, respeitando o ritmo e as singularidades de cada criança.
Avaliação do Processo
A avaliação na Educação Socioambiental deve ser contínua, formativa e qualitativa, centrada nos processos de aprendizagem e desenvolvimento das crianças. São instrumentos avaliativos:
- Observação sistemática;
- Registros descritivos;
- Portfólios;
- Fotografias e produções das crianças;
- Relatórios individuais.
O foco da avaliação está na evolução das atitudes, na participação, na construção de valores e no desenvolvimento da consciência socioambiental, sem caráter classificatório, mas como instrumento de acompanhamento e replanejamento das práticas pedagógicas.
3.1.14 Letramentos Digitais
Conceito
Letramentos Digitais compreendem o desenvolvimento de habilidades iniciais relacionadas ao uso crítico, criativo e responsável das tecnologias digitais, respeitando as especificidades da infância. Não se trata da alfabetização formal em tecnologia, mas da ampliação das experiências comunicativas, expressivas e investigativas por meio de recursos digitais adequados à faixa etária. A proposta está alinhada aos direitos de aprendizagem e aos campos de experiências da BNCC, promovendo a exploração, a curiosidade, a interação e a produção de sentidos em diferentes linguagens, incluindo a digital. O uso das tecnologias deve favorecer a ampliação cultural, a socialização e a construção da autonomia, sempre com mediação pedagógica.
Organização da Oferta
Será ofertada 2 (duas) aulas por semana na Educação Infantil
Papel do Professor
O professor atua como mediador e orientador no uso das tecnologias, garantindo intencionalidade pedagógica. Seu papel envolve:
- Selecionar recursos digitais apropriados;
- Planejar experiências significativas e contextualizadas;
- Orientar sobre uso seguro e responsável;
- Estimular a criatividade e a autoria das crianças;
- Integrar tecnologia às interações e brincadeiras.
Cabe ao docente assegurar que o recurso digital seja meio para a aprendizagem e não um fim em si mesmo, promovendo experiências que fortaleçam vínculos, diálogo e pensamento crítico.
Orientação para Desenvolvimento das Aulas
As aulas devem partir das curiosidades e experiências das crianças, integrando recursos digitais a propostas lúdicas e investigativas. É importante:
- Utilizar vídeos, músicas e histórias digitais de forma interativa;
- Realizar registros fotográficos de projetos desenvolvidos;
- Explorar aplicativos educativos adequados à faixa etária;
- Incentivar a produção de desenhos digitais e gravação de relatos;
- Trabalhar noções iniciais de cuidado com equipamentos.
As atividades devem garantir participação ativa, diálogo e interação, articulando tecnologia com brincadeiras, expressão corporal, arte e linguagem oral.
Metodologia Recomendada
A metodologia deve ser ativa, investigativa e centrada na experiência da criança. Recomenda-se:
- Aprendizagem baseada em projetos;
- Exploração orientada de recursos digitais;
- Produção coletiva de conteúdos;
- Rodas de conversa após experiências digitais;
- Integração entre experiências concretas e registros tecnológicos.
O trabalho pedagógico deve priorizar a experimentação, a curiosidade e a construção coletiva, valorizando o protagonismo infantil.
Avaliação do Processo
A avaliação deve ser contínua, qualitativa e formativa, considerando os avanços no uso consciente, criativo e colaborativo das tecnologias. São instrumentos avaliativos:
- Observação sistemática;
- Registros descritivos;
- Portfólios digitais;
- Documentação pedagógica (fotos, vídeos e produções das crianças).
O foco está na participação, na autonomia, na capacidade de interação e na ampliação das formas de expressão, respeitando o ritmo de desenvolvimento de cada criança, sem caráter classificatório.
3.1.15 Iniciação Esportiva
Conceito
A Iniciação Esportiva compreende experiências corporais e lúdicas que favorecem o desenvolvimento integral da criança, priorizando o movimento, a coordenação motora, a socialização e o prazer pela prática corporal. Não se trata de treinamento esportivo formal ou competitivo, mas de vivências que introduzem elementos básicos das diferentes modalidades de forma adaptada e adequada à faixa etária. A proposta dialoga com o campo de experiências “Corpo, gestos e movimentos” da BNCC, promovendo o desenvolvimento físico, emocional e social, por meio de jogos, brincadeiras e desafios motores que estimulam autonomia, cooperação e respeito às regras.
Organização da Oferta
Será ofertada 3 (três) aulas por semana na Educação Infantil.
Papel do Professor
O professor atua como mediador do movimento e incentivador da participação de todas as crianças. Seu papel envolve:
- Planejar atividades seguras e adequadas à faixa etária;
- Adaptar regras e materiais;
- Promover inclusão e respeito às diferenças;
- Estimular a cooperação em vez da competição;
- Observar o desenvolvimento motor e social das crianças.
Cabe ao docente criar um ambiente acolhedor, onde o erro seja parte do processo de aprendizagem e o brincar seja o eixo central das práticas corporais.
Orientação para Desenvolvimento das Aulas
As aulas devem ser planejadas com intencionalidade pedagógica, partindo das capacidades motoras das crianças e ampliando progressivamente os desafios. É fundamental:
- Priorizar o caráter lúdico das atividades;
- Trabalhar noções básicas de regras, turnos e convivência;
- Utilizar materiais diversificados (bolas, cones, cordas, bambolês);
- Desenvolver circuitos que estimulem equilíbrio, coordenação, agilidade e lateralidade;
- Valorizar a participação e o esforço individual.
As propostas devem garantir segurança física e emocional, promovendo experiências prazerosas e significativas.
Metodologia Recomendada
A metodologia deve ser ativa, participativa e centrada na brincadeira. Recomenda-se:
- Jogos cooperativos;
- Circuitos psicomotores;
- Atividades rítmicas e recreativas;
- Brincadeiras populares;
- Desafios motores progressivos.
A prática deve priorizar a experimentação, o movimento livre e orientado, a socialização e o desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais, respeitando as singularidades de cada criança.
Avaliação do Processo
A avaliação deve ser contínua, qualitativa e formativa, focada no desenvolvimento global da criança e não no desempenho técnico. São instrumentos avaliativos:
- Observação sistemática;
- Registros descritivos;
- Portfólios com registros fotográficos;
- Relatórios de desenvolvimento motor e social.
O foco da avaliação está na evolução das habilidades motoras, na participação, na interação com os colegas e na construção de atitudes como cooperação, respeito e autonomia, sem caráter competitivo ou classificatório.
4.0 MATRIZ CURRICULAR
A matriz curricular da Educação Básica deve assegurar o aprendizado essencial definido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que inclui conhecimentos, habilidades e competências gerais. Ela também prevê a parte diversificada para se adequar às necessidades locais, incluindo o estudo de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Geografia, Arte e Educação Física. Além disso, o currículo deve ser flexível e contextualizado, incorporando temas transversais e o diálogo com a realidade social e cultural dos alunos. A organização curricular da Educação Básica deve assegurar o princípio da organicidade, totalidade e integralidade, por meio da integração dos conteúdos, das capacidades, das áreas do conhecimento, das Etapas, Modalidades e Especificidades, articulando-se e integrando-se com as dimensões do mundo do trabalho e das práticas sociais.
Na Matriz Curricular para o ensino fundamental em Tempo Integral, os componentes curriculares estão organizados em cinco áreas do conhecimento, conforme previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC): Linguagens, Matemática, Ciências Humanas, Ensino Religioso e Ciências da Natureza. Na parte diversificada, constam as Práticas Experimentais distribuídas em três áreas do conhecimento com conotação obrigatória.
A computação faz parte desta matriz curricular brasileira através de um complemento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com implementação obrigatória, tendo como objetivo desenvolver o entendimento do mundo digital, a cultura digital, o pensamento computacional e a autonomia dos estudantes, aplicando o aprendizado em diferentes etapas da educação básica de maneira transversal e progressiva. A inclusão está alinhada à nova Política Nacional de Educação Digital (PNED) e busca preparar os alunos para a cidadania digital.
4.1 EDUCAÇÃO INFANTIL
A Educação Infantil constitui a primeira etapa da educação básica, sendo um direito da criança até os 5 (cinco) anos de idade. Ela desempenha funções indissociáveis de cuidar, educar e brincar, com o objetivo de promover o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, afetivo, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Está organizada com carga horária mínima anual de 1.440 ( mil quatrocentos e quarenta) horas, distribuídas por, no mínimo, 200 (duzentos) dias de trabalho educacional, com atendimento à criança de, no mínimo, 7 (sete) horas para a jornada integral.
A matriz curricular da Educação Infantil é composta por 5 (cinco) campos de experiência, que orientam o processo de ensino-aprendizagem e contemplam as dimensões do desenvolvimento infantil, assegurando que as crianças tenham acesso aos direitos de aprendizagem e se desenvolvam de forma integral.
Esses campos configuram-se como um arranjo curricular que acolhe situações e experiências concretas da vida cotidiana, considerando os saberes e vivências das crianças. Os campos de experiência são:
O Eu, o Outro e o Nós
Promove o desenvolvimento da identidade da criança, o reconhecimento de suas emoções, a construção da convivência com os outros, as relações sociais e o entendimento de si mesma e do coletivo
Corpo, Gestos e Movimentos
Refere-se ao desenvolvimento motor da criança, ao reconhecimento do corpo, aos movimentos corporais, à expressão através da dança, jogos e outras formas de expressão corporal.
Traços, Sons, Cores e Formas
Trabalha o desenvolvimento das capacidades artísticas e criativas, estimulando as crianças a explorarem diferentes materiais, cores, formas e sons, além de desenvolverem suas expressões criativas por meio da arte, da música e de outras linguagens.
Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação
Foca no desenvolvimento da linguagem, da escuta atenta, da fala e da expressão de ideias e sentimentos, além de estimular a imaginação e o pensamento criativo das crianças.
Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações
Refere-se ao desenvolvimento do raciocínio lógico, da noção de espaço e tempo, da observação e compreensão dos fenômenos da natureza, das quantidades e das transformações do mundo ao redor da criança.
A matriz curricular de computação na educação infantil baseia-se nas premissas do pensamento computacional (decomposição, reconhecimento de padrões, algoritmo e abstração) de forma lúdica e interativa, integrada aos cinco campos de experiência da BNCC. Ela não introduz um novo campo, mas alinha as habilidades de computação aos eixos da BNCC: o eu, o outro e o nós; corpo, gestos e movimentos; traços, sons, cores e formas; escuta, fala, pensamento e imaginação; e espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.
Para bebês e crianças bem pequenas (0 meses a 3 anos e 11 meses)
A BNCC não prevê habilidades específicas de computação para esta faixa etária, o desenvolvimento deve ocorrer por meio de interações e brincadeiras, seguindo os eixos estruturantes da BNCC para a educação infantil.
Para crianças de 4 a 5 anos
O foco é no desenvolvimento do pensamento computacional como uma preparação para o mundo digital. É trabalhada de forma lúdica, crítica e significativa, conectada a práticas de alfabetização e ao desenvolvimento integral. Os objetivos de aprendizagem são organizados para este período, de acordo com a BNCC.
Premissas e habilidades
Decomposição
Dividir um problema ou tarefa em partes menores para facilitar a solução.
Reconhecimento de padrões
Identificar sequências, repetições e semelhanças em objetos, movimentos e sons.
Algoritmo
Criar e seguir sequências de passos para resolver problemas, como brincadeiras com objetos e movimentos do corpo.
Abstração
Focar nas informações essenciais e abstrair detalhes irrelevantes para resolver uma situação.
Abordagem pedagógica
Ludicidade
A computação deve ser trabalhada através de jogos, brincadeiras e experiências lúdicas.
Não-plugada e plugada
As atividades podem ser feitas sem tecnologia (desplugada), como criar padrões com objetos, e com tecnologia (plugada), como usar programas de desenho simples.
Contextualização
As experiências de computação devem ser relacionadas aos campos de experiência e ao cotidiano das crianças.
Inclusão digital
Garantir que todas as crianças desenvolvam habilidades tecnológicas e se tornem criadoras e solucionadoras de problemas na era digital.
Integração com os campos de experiência
O eu, o outro e o nós
Interação e colaboração em atividades.
Corpo, gestos e movimentos
Desenvolvimento de algoritmos por meio de movimentos corporais.
Traços, sons, cores e formas
Identificação de padrões em desenhos, músicas e formas geométricas.
Escuta, fala, pensamento e imaginação
Expressar ideias por meio de ferramentas digitais simples, como desenhos e animações, e discutir a segurança online.
Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações
Compreensão de padrões em rotinas diárias e organização de materiais.
Além desses campos e de seu alinhamento com a computação, a matriz curricular inclui os temas transversais, que são:
· Educação para os direitos da criança (prevenção contra todo tipo de violência à criança e do adolescente);
· Educação para a relação família e escola;
· Educação para os cuidados com o corpo e a mente;
· Educação alimentar;
· Educação ambiental e sustentabilidade;
· Educação financeira;
· Educação para o trânsito.
Esses temas devem ser explorados de forma integrada ao longo do desenvolvimento dos cinco campos de experiência, proporcionando uma abordagem holística e interdisciplinar, que considera as diferentes dimensões do desenvolvimento infantil.
4.1.1 MATRIZ CURRICULAR –ETI – EDUCAÇÃO INFANTIL
(Educação Infantil (de acordo com a BNCC e com o DRC Carlinda em conformidade com a LDB 9394/96)
4.2 MATRIZ CURRICULAR – ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS – ETI - 07 HORAS DIÁRIAS (de acordo com a BNCC e com o DRC –Carlinda e em conformidade com a LDB 9394/96)
Os estudantes dos Anos iniciais nas turmas de Tempo Integral de 07 horas diária e 35 horas semanal com carga horária de 1.440 horas/aula anuais, sendo 800 horas na Base Comum Curricular, 440 horas/aulas na Parte Diversificada e 200 horas destinadas ao período de alimentação (almoço) e descanso dos estudantes.
4.3 MATRIZ CURRICULAR – ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS – ETI - 08 HORAS DIÁRIAS (de acordo com a BNCC e com o DRC –Carlinda e em conformidade com a LDB 9394/96)
Os estudantes dos Anos iniciais nas turmas de Tempo Integral de 08 horas diárias e 40 horas semanais com carga horária de 1.480 horas/aula anuais, sendo 800 horas na Base Comum Curricular, 480 horas/aulas na Parte Diversificada e 200 horas destinadas ao período de alimentação (almoço) e descanso dos estudantes.
4.4 MATRIZ CURRICULAR - ENSINO FUNDAMENTAL ANOS FINAIS – ETI - 07 HORAS DIÁRIAS
Os estudantes dos Anos Finais nas turmas em Tempo Integral de 07 horas diária e 35 horas semanal terão uma carga horária de 1.440 horas/aula anuais, sendo 800 horas na Base Comum Curricular, 440 horas/aulas na Parte Diversificada e 200 horas destinadas ao período de alimentação (almoço) e descanso dos estudantes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Guia para gestores(as): articulação intersetorial na jornada escolar de tempo integral, na perspectiva da educação integral. Brasília: MEC/SEB, 2025.
______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Fundamentos da Educação Integral. Módulo 2. Brasília: MEC/SEB/DICEI, 2023. Disponível em: MEC website. Acesso em: 28 de janeiro de 2026.
CENTRO DE REFERÊNCIAS EM EDUCAÇÃO INTEGRAL. Material de Apoio à Formulação e Implementação de Políticas Municipais de Educação Integral em Tempo Integral. São Paulo: Centro de Referências em Educação Integral, 2024. Disponível em: https://educacaointegral.org.br/wp-content/uploads/2024/04/material-de-apoio-a-formulacao-e-implementacao-de-politicas-municipais-de-educacao-integral-em-tempo-integral.pdf. Acesso em: 24 fev. 2026.
MOTA, Silvia Maria Coelho. Escola de Tempo Integral: da concepção à prática, em VI Seminário da REDESTRADO – Regulação Educacional e Trabalho Docente, 06 e 07/11/2006 - UERJ - Rio de Janeiro - RJ, disponível em: , acesso em 26 de janeiro de 2026.
MATO GROSSO. Projeto Político Pedagógico das Escolas de Tempo Integral. SEDUC/MT, 2026.
MONTEIRO, C. V.; LIMA, R. C. de. Educação integral em Mato Grosso: o currículo das escolas plenas. Observatório de la Economía Latinoamericana, [s. l.], v. 23, n. 4, 2025. DOI: 10.55905/oelv23n4-016. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=10155876. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.