PLANO DE AÇÃO DE IMPLEMENTAÇÃO DAS AÇÕES DE COMBATE À HANSENÍASE ABRIL-2026
Município: Itanhangá/MT
PLANO DE AÇÃO DE IMPLEMENTAÇÃO DAS AÇÕES DE COMBATE À HANSENÍASE
ABRIL-/2026
PLANO DE AÇÃO DE IMPLEMENTAÇÃO DAS AÇÕES DE COMBATE À HANSENÍASE
Município: Itanhangá/MT
Vinculação: Plano Municipal de Saúde (PMS)2026–2029 Ano de referência: Programação Anual de Saúde (PAS)2026
1. FUNDAMENTAÇÃO
O presente Plano de Ação atende ao Acordão nº 619/2025 e à Nota Recomendatória n° 09/2024 do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) e está em consonância com:
- Plano Municipal de Saúde (PMS) 2026-2029.
- Programação Anual de Saúde (PAS) 2026.
- Plano Plurianual (PPA).
- Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
- Lei Orçamentária Anual (LOA).
Baseia-se no princípio do planejamento ascendente do SUS, considerando as necessidades locais e priorizando o enfrentamento da hanseníase como problema de saúde pública no município, com o objetivo de fortalecer a implementação das ações de combate à hanseníase no município, com foco na detecção precoce, tratamento oportuno e prevenção de incapacidades, por meio da qualificação da Atenção Primária à Saúde (APS) e integração com a Vigilância em Saúde, considerando a intersetorialidade fundamental para o alcance de resultados.
2. DIRETRIZ DO PMS 2026-2029
- Garantir detecção precoce e tratamento oportuno em todos os níveis de atenção.
- Fortalecer a APS como porta de entrada, coordenadora do cuidado e da vigilância.
- Integrar vigilância, atenção e reabilitação com enfoque em continuidade do cuidado.
- Promover capacitação contínua de profissionais e educação em saúde comunitária.
- Assegurar medicamentos, insumos e logística de PQTU/MDT (poliquimioterapia) e exames.
- Monitorar indicadores epidemiológicos e de desempenho com transparência.
- Combater o estigma e garantir direitos humanos e inclusão social.
3. OBJETIVOS DO PMS 2026-2029
- Ampliar o diagnóstico precoce na APS.
- Garantir a investigação de contatos.
- Reduzir incapacidades físicas.
- Assegurar tratamento oportuno e adesão.
- Qualificar profissionais de saúde.
- Organizar fluxo com atenção especializada.
4. METAS – PMS/PAS 2026
|
Meta |
Indicador |
Meta 2026 |
|
Diagnosticar precocemente os casos |
% casos com grau 2 |
≤5% |
|
Examinar contatos |
% contatos examinados |
≥90% |
|
Garantir cura |
% cura |
≥90% |
|
Reduzir abandono |
% abandono |
0% |
|
Ampliar detecção ativa |
% casos por busca ativa |
≥10% |
5. AÇÕES PROGRAMADAS (PAS 2026)
5.1 AÇÕES NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE (APS)
Diagnóstico:
- Realizar exame clínico dermatoneurológico.
- Solicitar baciloscopia (BAAR), quando indicado.
- Identificar sinais e sintomas precoces.
Classificação:
- Classificar casos em paucibacilar ou multibacilar conforme critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Tratamento:
- Iniciar imediatamente a Poliquimioterapia (PQT-U).
- Garantir a primeira dose de cada cartela supervisionada por um profissional de saúde, na unidade de saúde.
- Garantir a dispensação da dose autoadministrada que o paciente levará para casa.
- Implantar rotina sistemática de busca ativa de faltosos, com acompanhamento mensal nominal dos pacientes em tratamento.
- Identificar faltosos em até 7 dias após ausência.
- Acionar Agentes Comunitários de Saúde para visita domiciliar.
Exames complementares:
- Realizar Avaliação Neurológica Simplificada (ANS).
- Aplicar teste rápido em contatos, conforme protocolo do SUS.
Ações complementares:
- Avaliação de incapacidade no diagnóstico e alta.
- Monitoramento de reações hansênicas.
- Buscar matriciamento, tele interconsulta, teleconsultoria da referência AAER via plataforma digital.
- Registrar todas as ações em prontuário e sistema oficial.
- Formalizar Fluxos Assistenciais contendo: fluxograma de atendimento desde suspeita até alta por cura; critérios objetivos de encaminhamento para AAER; critérios para referência cirúrgica, fluxo de retorno (contrarreferência obrigatória), definição do responsável técnico em cada ponto da rede.
- Orientação para autocuidado.
5.2 AÇÕES DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE
- Notificação compulsória no SINAN.
- Investigação epidemiológica dos casos e contatos.
- Exame de 100% dos contatos domiciliares.
- Busca ativa em áreas prioritárias.
- Monitoramento de indicadores.
- Instituir agenda fixa para revisão trimestral dos casos em tratamento prolongado.
- Discutir obrigatoriamente com a referência estadual casos sem resposta terapêutica.
- Formalizar parecer técnico nos casos de manutenção terapêutica além do tempo preconizado.
5.3 AÇÕES NA ATENÇÃO ESPECIALIZADA
- Referenciar casos duvidosos ou atípicos.
- Apoio diagnóstico complementar.
- Manejo de complicações e reações graves.
A APS permanece como coordenadora do cuidado.
5.4 AÇÕES DE REABILITAÇÃO
Em casos de necessidade de reabilitação, a rede municipal deve assegurar acesso a;
- Fisioterapia motora e neurológica;
- Terapia ocupacional;
- Confecção e adaptação de órteses e palmilhas;
- Cuidados com prevenção de incapacidades;
- Reabilitação funcional e reinserção social.
A reabilitação deverá ser iniciada precocemente, sem aguardar alta medicamentosa quando houver indicação clínica.
5.5 EDUCAÇÃO EM SAÚDE E COMBATE AO ESTIGMA
- Orientação durante visitas domiciliares.
- Desenvolver ações educativas junto à comunidade para divulgar sinais e sintomas, visando o diagnóstico precoce e a redução do estigma e preconceito associados à doença.
- Articular ações intersetoriais (educação, assistência social, dentre outros) e estimular o autocuidado apoiado para melhorar a qualidade de vida do paciente.
- Realizar campanha Janeiro Roxo.
5.6 EDUCAÇÃO PERMANENTE
- Capacitação anual das equipes.
- Atualização em diagnóstico clínico.
- Treinamento em avaliação neurológica (ANS).
6. INDICADORES DE MONITORAMENTO
- Proporção de contatos examinados.
- Proporção de cura.
- Proporção de abandono.
- Proporção de grau 2 de incapacidade.
- Número de casos novos.
- % detecção por busca ativa.
7. VINCULAÇÃO ORÇAMENTÁRIA (LOA 2026)
As ações previstas estão contempladas no orçamento municipal, com financiamento por meio de:
- Piso da Atenção Primária- Subfunção 301- Atenção Básica.
- Bloco da Vigilância em Saúde- Subfunção 305- Vigilância Epidemiológica.
Execução via Programação Anual de Saúde (PAS) e Prestação de Contas no Relatório Anual de Gestão (RAG).
8. MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO
- Monitoramento mensal pelas equipes de saúde.
- Reuniões trimestrais de avaliação e envio do relatório ao TCE/MT.
- Relatório anual de gestão (RAG).
- Apresentação ao Conselho Municipal de Saúde.
9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente plano reforça que:
- O diagnóstico da hanseníase é predominantemente clínico e realizável na APS.
- A detecção precoce e o tratamento oportuno são as principais estratégias de controle.
- A integração entre APS, Vigilância em Saúde e Atenção Especializada é essencial.
- O planejamento está alinhado ao PMS, PAS e instrumentos orçamentários.
- A equipe deve atuar de forma complementar, reconhecendo a importância do trabalho multiprofissional (incluindo fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais em níveis de maior complexidade) e da articulação com outros setores da sociedade para garantir a integralidade da atenção.
- A intersetorialidade é fundamental para o enfrentamento das doenças negligenciadas, porém ainda é um grande desafio.
____________________________________
Bruno Henrique Ascari Felix
Secretário Municipal de Saúde
Portaria 002/2025
Itanhangá/MT, 16 de Abril de 2026