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Previdência Social dos Servidores de Confresa

ATA DA REUNIÃO ORDINÁRIA DO COMITÊ DE INVESTIMENTOS DO FUNDO MUNICIPAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DOS SERVIDORES DE CONFRESA/MT – PREVICON

(4º Reunião Ordinária)

Aos 18 de maio de 2026, às 14h00min, nas dependências do Fundo de Previdência Social dos Servidores de Confresa (PREVICON), realizou-se a Reunião Presencial com os Membros do Comitê de Investimento, reunião esta, que foi remarcada do dia 11.03.2026 pela ausência do IPCA de abril/2026 sendo divulgado pelo IBGE somente no dia 12 de maio de 2026, com alta de 0,67% n.p. Índice primordial para a composição da meta atuarial e análise de investimentos. Os membros depois de convocados, se fazendo presentes: Etevaldo Vasco Soares e Hudson Braga Rocha. Cumprindo a exigência por meio do Ministério da Previdência Social (MPS) e de sua Secretaria de Regime Próprio e Complementar (SRPC), todos os membros possuem o certificado CP RPPS CGINV (Certificação Profissional para Gestores de Aplicações e Membros do Comitê de Investimentos) válido. O Secretário Municipal Adjunto de Previdência Sr. Cristhiano Melgaço Felipe iniciou a reunião agradecendo a presença dos membros e destacando a importância do acompanhamento contínuo da carteira de investimentos do PREVICON, visando garantir segurança, rentabilidade, liquidez e aderência à Política de Investimentos vigente.

1.  Pauta do Dia

1. Apresentação, análise e discussão técnica do Portfólio de Investimentos nº 04/2026

do PREVICON, com detalhamento da distribuição por instituição financeira;

2. Participação e explanação técnica da Consultoria Grupo Referência, na pessoa do consultor João Ennes, acerca do panorama macroeconômico interno, externo e aderência da carteira;

3. Análise e deliberação sobre nova aplicação de recursos financeiros no montante de até R$ 1,7 milhão de reais;

4. Apresentação e discussão da proposta global de realocação da carteira do RPPS enviada pela consultoria credenciada;

5. Análise comparativa da exposição ao risco e impacto financeiro: Posição Atual da Carteira vs. Pós-Realocação, detalhando volumes e percentuais rebalanceados;

6. Implementação e monitoramento do Programa de Integridade e Compliance de Investimentos (Estrutura e Relatórios);

 

7. Avaliação do cenário macroeconômico vigente e aderência regulatória à Resolução CMN nº 5.272/2025.

2.  Desenvolvimento dos Trabalhos e Deliberações

Item 1: Análise do Portfólio de Investimentos nº 04/2026 e Distribuição por Instituição

O Comitê iniciou os trabalhos com a leitura e avaliação detalhada do relatório consolidado do Portfólio de Investimentos referente ao fechamento do mês de abril de 2026. Foram destacados os seguintes pontos fundamentais sobre a radiografia da carteira:

· Desempenho Frente à Meta Atuarial: Foi registrado que a carteira consolidada obteve um desempenho acumulado positivo nos primeiros meses do ano (Janeiro: 1,70%; Fevereiro: 1,12%), superando a meta atuarial estabelecida para o período e demonstrando aderência inicial ao planejamento anual. O patrimônio líquido total do fundo encerrou o período auditado de janeiro a abril, consolidado em R$ 151.173.981,13.

· Distribuição do Patrimônio por Instituição Financeira: Com o objetivo de avaliar a concentração bancária e o cumprimento dos limites institucionais, o Secretário Adjunto apresentou o mapeamento do saldo total distribuído entre os administradores financeiros parceiros do RPPS:

o Banco do Brasil S.A.: Concentra o maior volume de recursos da autarquia, totalizando R$ 97.496.928,64, o que representa 64,49% do portfólio global. Os principais ativos alocados nesta instituição são o BB IRF-M Títulos Públicos (13,33%) e o BB IMA-B 5 (7,83%).

o Caixa Econômica Federal: Registra um montante de R$ 53.677.052,49, equivalente a 35,51% da carteira total do PREVICON, com destaque para as aplicações no Caixa FI Brasil IMA-B TP (5,96%) e Caixa FI Brasil IDKA IPCA 2A (4,86%).

· Identificação de Vulnerabilidades Técnicas: Diante do cenário atual, a análise do portfólio apontou pontos de atenção imediata para o Comitê. Observou-se uma alta exposição em ativos indexados à inflação de longo prazo e uma alocação remanescente de 13,28% em ativos de Renda Variável e Exterior (BDRs). No cenário atual de juros nominais elevados no Brasil e volatilidade externa, essa configuração expõe o portfólio a marcações a mercado negativas desnecessárias, reduzindo o Índice de Sharpe da carteira global. A partir deste diagnóstico, o Comitê concluiu pela necessidade premente de rebalanceamento, migrando parte desses recursos para fundos pós- fixados indexados ao CDI/Selic e de menor volatilidade, protegendo o patrimônio e aproveitando a taxa de juros real atrativa do mercado doméstico.

 

Item 2: Participação da Consultoria Grupo Referência e Análise Macroeconômica

Neste momento, a palavra foi concedida ao representante da consultoria credenciada Grupo Referência, o Sr. João Ennes, que participou da sessão por videoconferência. O consultor realizou uma detalhada explanação técnica trazendo a realidade macroeconômica dos mercados interno e externo, confrontando-a com o atual desenho da carteira do PREVICON:

· Contexto do Mercado Externo: João Ennes alertou para a forte volatilidade do mercado internacional, impulsionada pelas incertezas quanto ao início do ciclo de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. A manutenção de taxas americanas elevadas por tempo prolongado pressiona as moedas de países emergentes, impacta o câmbio e penaliza severamente ativos globais de crescimento. Diante disso, o consultor justificou que a manutenção de posições expressivas em BDRs (ativos no exterior), com alta exposição passiva ao setor de tecnologia e semicondutores, trazia um risco de cauda e volatilidade extrema à carteira sem a devida eficiência em prêmio, conforme atestado no Sharpe negativo apresentado pelos fundos internacionais da Caixa Econômica Federal.

· Contexto do Mercado Interno: No cenário doméstico, destacou a recente divulgação do IPCA de abril pelo IBGE, que apresentou alta de 0,67%. Ennes apontou que, embora a inflação exija atenção constante por indexar a meta atuarial do RPPS, o mercado brasileiro opera com prêmios de juros reais extremamente atrativos na curva curta e pós-fixada. A persistência de incertezas fiscais e políticas locais afeta as curvas de juros longas (causando perdas por marcação a mercado em títulos vinculados ao IPCA de longo prazo, como o IMA-B 5+).

· Conclusão e Diagnóstico da Carteira: Com base nessa correlação de forças, João Ennes enfatizou que a realidade atual do mercado exige uma postura defensiva, tática e focada em liquidez. Recomendou formalmente que o PREVICON realize um rebalanceamento estrutural imediato, reduzindo a exposição em fundos indexados a índices de inflação longos e renda variável internacional, migrando esses recursos para o segmento pós-fixado (Selic/CDI). Segundo o consultor, essa transição garantirá uma rentabilidade consistente e alinhada à meta atuarial, reduzindo drasticamente o VaR consolidado e aproveitando o patamar de dois dígitos da taxa Selic de forma segura.

Item 3: Aplicação de Recursos (Até R$ 1,7 Milhão)

A mesa apresentou o Parecer Econômico emitido pela Agenda Assessoria, datado de 11 de maio de 2026, assinado pela economista Johanna Karolliny Dourado dos Santos (CORECON nº 2127, 14ª Região/MT).

O parecer técnico recomenda a alocação prioritária em fundos de renda fixa conservadora e de moderada volatilidade, considerando o cenário nacional de juros elevados e visando o

 

atingimento da meta atuarial com segurança e liquidez. Após debate, o Comitê aprovou por unanimidade a seguinte distribuição para o aporte de R$ 1.700.000,00:

· 50% (R$ 850.000,00): No fundo BB RF FLUXO (CNPJ: 63.197.387/0001-38), enquadrado

no Artigo 7º, Inciso I da Resolução CMN nº 5.272/2025.

· 50% (R$ 850.000,00): No fundo BB PREVID RF IDKA 2 (CNPJ: 13.322.205/0001-35),

enquadrado no Artigo 7º, Inciso I.

Item 4: Proposta Global de Realocação de Carteira

Dando continuidade e utilizando os dados diagnósticos do Portfólio de Abril/2026, os membros avaliaram o relatório de análise de carteira enviado formalmente por correio eletrônico em 21 de maio de 2026 pela consultoria técnica (Grupo Referência), subscrito pelo economista Leandro Becker Cavali (CORECON/RS 8186).

Para aprimorar a relação risco-retorno, mitigar o risco fiscal/político sobre o Tesouro IPCA longo e aproveitar o patamar elevado da taxa Selic, o Comitê deliberou e aprovou o plano estratégico de realocação sugerido:

· Renda Fixa Pós-Fixada: Elevação da exposição atrelada ao CDI/Selic para aproximadamente 34,68% do portfólio total, mantendo a carteira defensiva.

· Redução de Volatilidade de Longo Prazo: Redução drástica da exposição em fundos indexados ao IMA-B 5+ (de 1,48% para 0,82%) e ajuste no IMA-B (de 10,03% para 8,86%), resgatando parcialmente recursos para cobrir as estratégias de menor volatilidade.

· Inclusão de Novo Ativo: Homologação e inclusão na carteira do fundo Caixa Topázio Corporativo Resp Limitada FIF Renda Fixa Referenciado DI LP (CNPJ: 11.061.230/0001- 87), visando a otimização dos retornos dentro das opções de crédito privado/DI da Caixa Econômica Federal.

· Redução em Renda Variável e BDRs: Autorização para resgates parciais nos fundos:

o CAIXA BRASIL INDEXA IBOVESPA RESP LIMITADA FIF AÇÕES: Justificado pela

gestão passiva que replica integralmente as quedas do mercado doméstico e alto custo de oportunidade frente aos juros elevados.

o CAIXA INSTITUCIONAL RESP LIMITADA FIF AÇÕES BDR NÍVEL I: Justificado pelo

impacto cambial negativo no Sharpe, ausência de geração de alfa e concentração extrema (98%) no setor de tecnologia global e semicondutores, altamente sensível aos juros americanos.

 

Item 5: Análise de Risco e Impacto da Realocação Financeira

O Comitê debruçou-se sobre os dados quantitativos de risco apresentados no relatório técnico da consultoria, efetuando uma análise minuciosa de como a carteira se posiciona atualmente frente à volatilidade, acompanhada do dimensionamento exato dos recursos reestruturados:

· Posição Atual da Carteira Diante do Risco (Abril/2026): O diagnóstico evidenciou uma carteira com exposição excessiva a riscos de mercado e de duration longa. A concentração de 13,28% em Renda Variável e Exterior, somada a indexadores de inflação de longo prazo (como o fundo Caixa Brasil IMA-B 5+), gerou um descasamento de volatilidade. Tecnicamente, constatou-se que o fundo de BDRs da Caixa apresentava um Índice de Sharpe negativo de -1,10 e um Value-at-Risk (VaR) elevado de 3,23%, enquanto o fundo BB IMA-B registrava um Sharpe de -1,20 com VaR de 2,16%. Esses dados provam que a posição atual incorria em alta volatilidade e perdas patrimoniais decorrentes da marcação a mercado, sem gerar o prêmio de retorno necessário para justificar o risco assumido pelo RPPS.

· Mensuração do Volume e Percentual Total Realocado: Para a execução deste plano estratégico de mitigação de risco e otimização de caixa, o Comitê autorizou a movimentação e rebalanceamento estrutural do montante total de R$ 12.158.296,41, valor este que corresponde exatamente a 8,04% do patrimônio líquido global do PREVICON (com base no saldo total de R$ 151.173.981,13). Esta expressiva fatia de recursos será desmobilizada dos fundos de volatilidade ineficiente citados anteriormente e integralmente realocada para estratégias mais seguras de menor duration e pós-fixadas.

· Projeção de Estrutura Pós-Realocação: Com a estratégia aprovada, o perfil de risco do PREVICON sofrerá uma profunda transformação conservadora e eficiente. A alocação total no segmento de CDI/Pós-fixado saltará de 26,70% (Posição Atual) para 34,68% (Projeção Pós-Realocação), aumentando substancialmente a blindagem e a previsibilidade do fundo. Paralelamente, os recursos retirados dos ativos de alta volatilidade e direcionados para fundos de crédito privado controlados, como o Caixa Topázio Corporativo DI — que possui um VaR extremamente baixo de 0,05% e Sharpe positivo de 0,06 —, reduzirão o VaR global consolidado da carteira. A nova estrutura suavizará de forma drástica a curva de volatilidade do portfólio, estabilizando o patrimônio líquido contra choques macroeconômicos e assegurando liquidez imediata para o cumprimento das obrigações previdenciárias.

Item 6: Programa de Integridade e Compliance de Investimentos (Estrutura e Relatórios)

Em observância às boas práticas de governança previdenciária e visando a robustez dos processos de tomada de decisão do comitê, foi formalizada a estrutura de controle e

 

conformidade para os investimentos do PREVICON, estabelecendo a obrigatoriedade dos seguintes parâmetros técnicos em relatórios subsequentes:

· Due Diligence: Fica instituído o protocolo obrigatório de Due Diligence para fins de credenciamento, manutenção e novas alocações junto às instituições financeiras e administradores de fundos. O procedimento deve atestar de forma clara a idoneidade jurídica, a solidez financeira e a aderência das contrapartes às normativas do Banco Central e da CVM.

· Monitoramento de Risco por VaR e BVaR: O gerenciamento de risco da carteira consolidada integrará formalmente os indicadores estatísticos de mercado:

o Value-at-Risk (VaR): Para estimar a perda potencial máxima esperada do portfólio do RPPS dentro de um horizonte de tempo e nível de confiança preestabelecidos.

o Benchmark-Value at Risk (BVaR): Para mensurar o risco relativo e os desvios de volatilidade da carteira em confronto direto com os seus respectivos indexadores de referência (benchmarks).

· Avaliação de Eficiência pelo Índice de Sharpe: Como métrica indispensável de eficiência da relação risco-retorno, o comitê adotará o monitoramento constante do Índice de Sharpe dos ativos de alta volatilidade. A desmobilização parcial deliberada nesta data sobre o fundo de BDRs da Caixa fundamentou-se especificamente no diagnóstico de um Sharpe negativo/ineficiente apurado na análise do portfólio, comprovando que o ativo adicionava risco excessivo ao RPPS sem a devida contraprestação em prêmio ou geração de alfa.

3.  Justificativa de Enquadramento e Disposições Legais

O Comitê de Investimentos reforça que todas as movimentações, alocações e políticas de governança deliberadas nesta sessão encontram-se rigorosamente respaldadas técnica e juridicamente:

1. Guardam estrita observância aos limites e modalidades previstos na Resolução CMN nº 5.272/2025.

2. Estão alinhadas com a Política de Investimentos vigente do PREVICON.

3. Foram pautadas nos princípios constitucionais e previdenciários de segurança, liquidez, solvência e rentabilidade, visando preservar o patrimônio público e garantir o cumprimento da meta atuarial sem a exposição a riscos desnecessários no atual cenário de volatilidade internacional.

 

4.  Encerramento

Nada mais havendo a tratar, a sessão foi lavrada na presente ata, a qual, após lida e considerada conforme por todos os presentes, segue assinada pelos membros do Comitê de Investimentos do PREVICON.

Confresa/MT, 18 de maio de 2026.

Etevaldo Vasco Soares
Membro do Comitê de Investimento

Hudson Braga Rocha
Membro do Comitê de Investimento

Cristhiano Melgaço Felipe
Secretário Municipal Adjunto de Previdência